21 de fev. de 2010

Rising Sun- Caps 6,7, e 8

Oiii...
Fazia mt tempo q ñ publicava postagens aki no blog...
assumo q deixei o blog um pouco d lado,
pelo carnaval, feriados...
Mais jah voltei... publiquei no post anterior, mais de 19 fotos oficiais do filme Eclipse, espero q vcs tenham amado, pq eu ameiii!
Aki como diz o titulo, abaixo terá os 3 capitulos d Rising Sun...
Bjjjs,
Jade Cardoso.


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(Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós amamos.
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Grey!)


Capítulo 6 – Plano





Imprint. Durante toda minha curta vida, constantemente envolta em uma aura sobrenatural, eu jamais ouvira nada mais confuso e inacreditável. Estar destinado a amar alguém, independente de como, onde ou por que, era algo definitivamente além de meu entendimento sobre a vida. Eu – que até então acreditava estar ciente de tudo, que acreditava entender plenamente a nossa existência e a dos humanos que nos rodeavam – de repente me encontrava sem palavras, perplexa.
Jacob não me poupou detalhes – assim me pareceu. Ele se manteve calmo e firme em cada palavra improvável que deixava sair de sua boca.
- Ness, eu quero que você saiba que você tem escolhas, independente de qualquer ligação mística idiota que eu tenho com você. Eu fui seu amigo, seu irmão mais velho, seu protetor… E eu seria o que você quisesse que eu fosse pelo resto da minha vida patética. – Ele evitada olhar em meus olhos parados ao longe, desfocados pelos pensamentos que borbulhavam em minha mente.
Era estranhamente perturbador como cada peça de repente se encaixara no que pareciam ser lacunas profundas e eternas. Eu sempre soube que Jacob não era como eu e minha família. Percebi isso muito cedo, mas até ser um pouco mais velha e ser capaz de questionar tais diferenças, ele era meu tio Jake e eu o adorava. As “pessoas lobo”, como eu costumava chamá-los na infância, também faziam parte da família, independentemente se seus corações fossem – assim como o meu – os únicos a bater naquela família. Mas mesmo Seth, que nos visitava com mais freqüência, não passava mais que algumas horas conosco. E eu conseguia perceber a linha imaginária separando lobos e vampiros. O jeito que se comportavam quando estavam relativamente perto, a tensão que tingia o ar toda vez que minha mãe e meu pai me levavam até a fronteira de La Push para visitar Billy. E o cheiro. Vampiros e Lobisomens definitivamente não suportavam o cheiro um do outro, por que vampiros e lobisomens eram inimigos naturais.
Então, por que Jacob abandonou sua matilha para nos seguir? Por que morar com nove vampiros parecia não ter importância nenhuma para ele? Por que ele me escolheu ao invés de seu pai, sua tribo, seus irmãos…? Todas as perguntas que cresceram comigo de repente estavam respondidas. Era o destino dele me seguir, aonde quer que eu fosse, seja lá o que eu fosse.
- Eu merecia saber Jake.- Eu consegui dizer depois de um longo silencio – Passei minha vida inteira me fazendo perguntas sobre você. Já faz algum tempo que eu não sei mais como te olhar. Como um amigo? Como um irmão? – Eu sentia um nó na garganta, lutando com as palavras que saíam meio sufocadas. – Eu merecia saber que meu destino sempre foi você.
- Não diga isso Nessie – Ele me encarava incrédulo, como se eu tivesse dito alguma heresia. –Você nunca foi minha. Pare de achar que você não tem escolha. Se eu não te contei antes foi por que você não estava pronta e seus pais queriam que você fosse capaz de escolher por si mesma quando chegasse a hora, e eu também. – Ele dizia cada palavra como se estivesse me dando uma bronca por mau comportamento.
- Não Jake, eu nunca tive escolha – Eu o olhei fixamente – Assim que coloquei meus olhos em você, todas as minhas opções se foram. – Ele me olhava com uma expressão torturada, mas ao mesmo tempo emocionada. Eu não sabia mais o que dizer. Tudo que eu senti durante minha curta vida tinha se resumido aquela última frase, aquele momento.
Nós nos rendemos aos braços um do outro. Se algum de nós fosse humano, aquele abraço teria quebrado algumas costelas.
Pela primeira vez em muito tempo eu sabia o que esperar, sabia o significado de muitas coisas que outrora só me deixaram mais confusa.
Jacob esperou por mim, pacientemente. É claro que a espera dele não foi tão grande quanto teria sido se eu fosse uma garota normal. Mas nem garota eu era. Eu era uma vampira, e por mais queJacob fosse “a prova de vampiros” – como meu pai dizia – um único descontrole meu foi o bastante para deixá-lo no chão. Eu queria ser melhor para Jacob, queria ser como Emily era paraSam. A parceira ideal, completamente compatível. As poucas vezes que me deixaram ficar perto de Emily foram o bastante para que eu adquirisse uma grande admiração e respeito pela mulher de pele marcada. Ela era apenas humana, e mesmo assim cuidava de todos aqueles marmanjos melhor do que qualquer um.
Ter Jacob quente e macio em meus braços me fez desejar não ser tão indestrutível. Mas eu mudei logo de idéia quando a imagem de Aro dançou furtivamente por meus pensamentos. Eu não deveria me sentir assim, fraca e impotente. Eu deveria ser mais forte. Deveria ser impiedosa e ardilosa como a guarda costas de Aro. Jane. Sim, eu me lembrava dela. Ouvi seu nome nas conversas furtivas de minha família várias vezes. Ela era uma vampira ofensiva, e não uma unidade passiva como eu até então tinha sido. Eu precisava me tornar uma nova Renesmee. Feroz, inteligente, letal. Só assim eu seria capaz de proteger minha família. E meu Jacob.

***
- Jake, não consigo me concentrar com você me beijando – Eu sorri, mantendo meus olhos fechados, tentando focar na história que eu contaria para meus pais. Ouvi sua risada rouca em meu ouvido. Ele era tão injusto.
- Desculpe, vou me comportar – Sussurrou em minha pele, deixando seu hálito quente tocar meu pescoço.
- Argh! Pelo amor de Deus Jake, nós temos meia hora pra deixar nosso plano impecável – Eu saí de seu abraço com certa relutância, evitando olhar em seu rosto para não perder o fio da meada.
Tudo acontecera tão rápido naquela manhã… Quando acordei eu era Renesmee Cullen, filha deEdward e Bella. Meu melhor amigo era um lobisomem charmoso que eu não tinha permissão de desejar como outra coisa. Eu amava minha família e nunca escondera nada deles – principalmente de meu pai. Algumas horas depois eu era uma mestiça descontrolada que estava tendo visões com um estranho e quebrando mesas na sala de aula no meio de um monte de humanos. Meu melhor amigo tinha sofrido algum tipo de impressão medonha comigo e estava apaixonado por mim. E pior ainda, eu estava apaixonada por ele também, justo o cara que me deu mamadeira. Se já não fosse o bastante, eu ainda estava planejando uma fuga com ele para investigar um suposto desconhecido que me deixara um bilhete misterioso. Ótimo.
O plano era, basicamente, deixar meu pai ler minha mente cheia de Jacob. Ele com certeza faria uma cena. Então, todos saberiam que Jacob me contou sobre o imprint e nós nos beijamos e etc. Ok, essa era a parte fácil do jogo. Difícil seria manter longe de minha mente – e da de Jacob – o que realmente tinha acontecido naquela manhã. As informações teriam que ser coesas e concretas. Eu precisaria usar meus poderes em um nível que eu tentei poucas vezes. Pintar imagens nítidas, precisas e em ordem cronológica de forma que se passassem por lembranças reais do decorrer do dia. E eu só tinha – olhei no relógio – vinte e oito minutos para deixar minhas lembranças e pensamentos seguros, eu não iria arriscar chegar em casa e dar de cara com meu pai. Eles poderiam ter voltado mais cedo…
Não, eu não podia arriscar. Teria que deixar tudo pronto antes de me aproximar. E Jacob não estava cooperando muito me beijando e me abraçando daquele jeito.
- Ness, tem certeza que vai dar certo? Tem certeza que não quer contar pra eles? Eu ainda acho isso meio arriscado – Jacob fazia as perguntas mais pra ele do que para mim.
- Não Jake, não posso deixar que eles saibam. O que você acha que meu pai e minha mãe vão fazer assim que souberem? Eles vão direto para Forks. E se for uma armadilha? – Eu o encarei.
- E se for uma armadilha pra você? – Ele perguntou. A tensão distorcendo suas feições.
- Eu não disse que não seria arriscado. Mas que escolha eu tenho? Tenho que apostar nos meus instintos Jake, e eles estão me dizendo que há alguma coisa muito errada acontecendo nas nossas costas. E seja lá o que for, as respostas de que preciso estão em Forks. – Eu vi nos olhos dele que ele faria a mesma coisa. Nós éramos muito parecidos quando se tratava da família.
- Só me prometa que não fará nada estúpido ok? – Jacob me olhou profundamente. Eu podia ver a dor que isso o causava. Me ver brincar com fogo e só poder acender sua própria tocha. Eu sabia disso por que sentia a mesma necessidade de protegê-lo e me sentia o ser mais inválido por não conseguir mantê-lo longe de mim, a salvo.
- Jake, eu não estou em condições de prometer nada agora. Mas eu posso lhe dizer uma coisa – Me aproximei de Jacob lentamente – Nós vamos estar sempre juntos, não importa como ou onde. – Sorri e afaguei seu rosto.
- Agora venha, preciso te passar as instruções – Puxei-o pela camisa e nos sentamos na grama do acostamento.
Coloquei minhas mãos sobre as de Jacob e fechei os olhos. Retrocedi até a aula com o Sr Anderson. Mostrei a Jacob o professor entrando na sala de aula e avisando a turma que, por conta de um problema familiar ele teria que se ausentar. Em seguida nós éramos dispensados. Passei então para uma imagem de Jacob me convidando para tomar sorvete. Imaginei nós dois andando por um parque, sorrindo e conversando. Nós nos sentávamos em um banco de mãos dadas, eu acariciava os braços de Jacob, traçando desenhos imaginários. Subia até seu ombro e pescoço e então, acariciava seu rosto. Nós nos olhávamos nos olhos com intensidade. Nos aproximávamos lentamente para o beijo quando Jacob começou a rir e minha concentração foi por água abaixo.
- O que foi? – Perguntei meio irritada por ter sido interrompida
- É essa a sua idéia? Você me seduzindo em um banco de praça? – Jacob ria nervosamente
- Se você tem uma idéia melhor, sinta-se a vontade em compartilhar – Fechei a cara
- A idéia é boa Ness, mas eu sei o que você está tentando fazer – Ele me olhava com um sorriso simpático – Está tentando não me deixar tão encrencado com seu pai. – Ele tirou uma mecha ruiva que o vento soprou em meu rosto.
- Jake, eu… – Droga, ele tinha percebido.
- Tudo bem Ness, ele vai querer me matar de qualquer jeito só por ter te convidado para tomar sorvete – Ele sorria complacente. Eu ri
- Eu sei Jake, mas se eu posso tornar as coisas mais fáceis pra nós, por que não fazê-lo? Além disso, vou precisar de você inteiro para fazer as malas e se eu levar pedaços de Jacob para Billy, bem, acho que não vou ser convidada para ceia de natal – Eu sorri e belisquei sua bochecha. Ele ergueu as mãos num sinal de rendição e disse:
- Faça como quiser. – E fechou os olhos, esperando que eu continuasse.
Continuei de onde tinha parado. Mas dessa vez não fechei os olhos. Me mantive focada no rosto de Jacob, analisando suas reações para o que eu estava prestes a mostrar. Sorri maliciosamente para mim mesma e continuei.
Eu e Jacob, sentados no banco de um parque qualquer, a luz do sol nos atingindo por entre os galhos das árvores espalhadas pelo parque. Nós nos olhávamos nos olhos, e lentamente começamos a encurtar a distância entre nossos rostos. E então eu usei a sensação que me invadiu quando nós nos beijamos e a uni com uma imagem de Jacob e eu abraçados. Meus braços ao redor de seu pescoço. Ele mantinha um braço parcialmente apoiado sobre o encosto do banco e o outro pousado em minha cintura. Eu deixei a sensação do calor da pele dele tingir minha mente. A textura suave e doce da sua boca na minha. Eu mostrava a Jacob todos os detalhes de um beijo real, somados as imagens que eu criava de um ângulo externo. Ele arqueou uma sobrancelha suavemente, e eu não sabia se isso significava que ele estava apreciando o quadro. Talvez eu estivesse detalhando demais, por que a pele de Jacob de repente começou a esquentar sob minhas mãos. Eu decidi então concluir a cena do beijo. Fechei os olhos para me concentrar melhor e imaginei Jacob acariciando meu rosto. De novo eu usei suas palavras e expressões reais. Deixei minha memória trazer a tona a voz de Jacob me dizendo “preciso lhe contar algo sobre mim”. Depois disso, selecionei partes de nossa conversa e as adaptei na cena. Todo o processo demorou mais ou menos dez minutos. Concluí minha obra prima com uma imagem de nós dois caminhando de mãos dadas em direção ao carro. Eu me virava pra Jacob com um sorriso no rosto e dizia: “Vamos contar para eles hoje?”. E Jacob sorria de volta e respondia: “Não temos escolha, seu pai vai saber no momento em que entrarmos pela porta”.
Cessei as imagens e encarei Jacob, esperando uma resposta. Ele estava com uma expressão suave e mais otimista que antes.
- Uow, isso é melhor que tv a cabo. Muito bom Ness, você está ficando boa nisso. – Ele sorriu e beijou minha testa – Isso pode funcionar, é sério, acho que pode dar certo.
- Essa é a parte fácil Jake, não fique tão otimista ainda. Nós precisamos manter nossa mente ocupada até estarmos longe o suficiente. – Eu disse, me levantando e caminhando até o carro.
- Se eu manter você na minha cabeça, vai ser moleza não pensar em mais nada – Ele sorriu, colocando-se de pé e me seguindo.
- Eu sei, também estou contando com isso. Mas não sei se é seguro ficar muito mais tempo com eles. – Eu ainda não estava segura sobre esse plano. Um único deslize seria o bastante.
- O que você quer dizer? – Jacob percebera meu tom de voz.
- Quero dizer que vamos para Forks ainda hoje.


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Capitulo 7-Encecenação




Eu não sabia ao certo como iria convencer meus pais a me deixarem ir para Forks sozinha com Jacob, nem como iria contornar toda preocupação desenfreada de minha família demasiadamente protetora. Eu tinha uma vaga idéia do que eles diriam.
Minha mãe diria: “Se você quer visitar Charlie, Billy e os outros, vai ter que esperar até que eu e seu pai tenhamos alguma folga na faculdade”. E meu pai completaria: “Nós iremos nas férias de inverno querida, assim todos nós poderemos ir juntos”. E Carlisle arremataria o assunto com uma expressão gentil no rosto, enquanto diria: “Não se esqueça que você agora tem obrigações na escola querida”. Completamente injusto.
Eles eram muitos, e sempre estavam unidos quando se tratava da minha segurança. Meu crescimento acelerado não deu a eles a chance de perceber que agora eu era uma adulta de sete anos. Tive que rir com meu humor negro, afinal, nada daquilo passava de pura verdade.
Minha única grande idéia até o momento era usar o fim de semana – e o tédio que eu sentia tendo que ficar nas redondezas – para escapulir para Forks. Eu até tinha uma encenação de desânimo pronta para ser usada em minha mãe. Mas sinceramente, eu duvidava que seria o bastante.
Enquanto Jacob dirigia de volta para casa, eu me mantive atenta. Quando fosse razoavelmente perto para meu pai nos ouvir, o plano entraria em vigor. Eu deixaria o barco correr como planejado, uma coisa de cada vez. Passar pela peneira estreita da mente de meu pai seria o mais difícil, depois disso, eu só precisava me afastar o bastante para planejar o próximo passo. Quando entramos na garagem, tanto eu quanto Jacob estávamos concentrados. Eu o olhei antes de sair do carro e sem pensar muito o beijei com força, uma vez mais para reforçar a idéia em nossas mentes. Não sei muito bem se aquilo ajudou ou só nos tirou a tênue concentração. Descemos do carro e nos dirigimos às escadas. Inalei profundamente o ar, e se meu olfato não tivesse pifado, meu pai ainda não estava em casa.
Era estranho, mas Jacob estava completamente relaxado ao meu lado. Ele devia estar acostumado a controlar seus pensamentos perto de meu pai. Ninguém se sentia mais invadido e aborrecido com a falta de privacidade com meu pai do que Jacob.
Quando entramos na sala, não havia ninguém a vista, mas eu podia ouvir Esme rabiscando algo no andar de cima e Carlisle devia estar lendo em seu escritório. Eu podia ouvir sua respiração cadenciada e o farfalhar de páginas sendo viradas. Suspirei de alívio e gesticulei o sofá para Jacob. Nós nos sentamos, deixando cair no tapete nossas mochilas e livros. Esme logo veio a nosso encontro com seu sorriso habitual.
- Olá querida, olá Jacob. Nessie, você recebeu a mensagem de sua mãe? Ela não quis ligar e atrapalhar sua aula. – Esme sentou-se numa poltrona e cruzou as mãos sobre as pernas.
- Recebi sim Esme, gostaria de ter ido com eles. – Fiz uma cara de desânimo
- Ah querida, você pode ir comigo e com Carlisle amanhã – Ela tentava me consolar
- Ah tudo bem Esme, estou planejando uma visita à Billy e à Charlie para esse fim de semana – Eu joguei a isca. Se eu precisava extrair informações de alguém sobre o cronograma familiar sem levantar suspeitas, esse alguém era Esme. Ela parecia não ter o hábito de desconfiar das pessoas.
- Que ótimo querida. Você já falou com seus pais sobre isso? – Ela sorria com empolgação, sem nenhum traço de desconfiança.
- Ah sim, mas eles obviamente não concordaram em me deixar ir sozinha com Jake. Acho que eles nunca vão confiar em mim. – Fiz um beiçinho.
- E nem em mim – Jacob estava percebendo a jogada e resolveu entrar na cena. Ele fez uma cara de desapontamento e sacudiu de leve a cabeça em desaprovação.
- Ah Nessie, não pense assim. Seu pai e sua mãe apenas se preocupam com você. E Jacob, é claro que eles confiam em você. Todos nós confiamos. Você já fez muito por nós, já provou sua lealdade muitas vezes. – Esme tentava nos consolar, e pelo tom de sua voz, ela sentia-se culpada por colaborar com meus pais em seus sermões repetitivos. Ótimo, ela mordera a isca.
- Mas Esme, vocês se preocupam com Alice, com Jasper, com Emmet ou Rose? – Perguntei, mantendo a expressão magoada em meu rosto.
- É claro que sim querida, me preocupo com todos vocês.
- Pois então, mesmo assim eu não vejo vocês impedindo nenhum deles de viajar sozinhos – Bingo. Esme ponderou por um minuto e eu pude ver minha estratégia dando certo. – Sinceramente, me sinto incapaz. Nunca vou ser boa o suficiente para me cuidar sozinha. Sou uma mestiça inútil. – Eu não precisava ter apelado tanto, mas não pude conter a encenação dramática se desenvolvendo em mim. Se Esme fosse capaz de chorar, ela estaria em prantos agora, tal era sua expressão de sofrimento e culpa. A conversa deve ter intrigado Carlisle, que desceu as escadas como uma brisa leve e sentou-se ao lado de Esme, afagando seus ombros. Ele olhava para mim com um semblante igualmente culpado.
- Acho que estamos pressionando muito você não é querida? – Ele tentou sorrir cordialmente, mas eu sabia que, sem querer, eu tinha atingido dois coelhos de uma vez só.
- Ah Carlisle, você conhece nossa natureza melhor que qualquer um. Vampiros precisam se sentir livres, ou eles simplesmente piram, eu acho. Ser a única que precisa dormir, comer e tudo mais já é bem difícil, eu sei que não sou tão forte quanto vocês. – A tristeza que deixei fluir por minhas palavras foi tão perceptível que Jacob me encarava com a mesma expressão angustiada de Carlisle e Esme.
- Você está enganada querida, você é tão forte quanto qualquer um de nós. E é completamente capaz de se defender sozinha. Essa preocupação que temos com você é apenas nosso próprio medo de perdê-la. Mas eu sei que isso não é desculpa para o que temos feito com você. – Eu nunca vira Carlisle tão culpado como agora. Eu já sentia o remorso crescendo dentro de mim, mas eu precisava fazer aquilo. Era o único jeito de protegê-los. Eu sabia que tinha ganhado a primeira batalha. Não havia mais necessidade de torturar meus avós. Eles colaborariam para o meu plano, eu podia ver em seus olhos dourados e tristonhos que, meu pai e minha mãe ouviriam uns bons sermões quando voltassem. Quase sorri ao sair pela porta da sala com a desculpa de ajudar Jacob com sua tarefa de literatura, deixando dois vampiros com a consciência pesada, paralisados em expressões pensativas no meio da sala vazia.
Quando chegamos ao chalé de Jacob, ele preparou um suco e nos sentamos no único sofá de dois lugares que ocupava boa parte da pequena sala-cozinha de Jacob. Nos olhamos em silencio por alguns minutos e como se fosse algo sincronizado automaticamente, nós explodimos em gargalhadas barulhentas.
- Jake, não tem graça. Eu tive que ser horrível com eles – Eu tentava falar em meio aos espasmos de Jacob que fazia o sofá tremer.
- Ah Ness, você vai me desculpar, mas eu me senti numa novela mexicana gótica ou algo assim – Jacob ria abertamente, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. – Garota, você tem talento.
- Cale a boca Jake – Eu tentava fazer uma cara de brava, mas só o que consegui foi uma careta.
Eu de certa forma estava mais relaxada quando os últimos raios de sol brilharam pela janela do chalé. O nervosismo da espera foi amenizado pela companhia descontraída de Jacob. Nós conversamos e rimos durante toda a tarde, esperando até ouvir os passos silenciosos de algum conhecido nos interromper, mas nada aconteceu até às seis da tarde.
Quando ouvimos passos leves se aproximando, eu e Jacob trocamos um olhar apreensivo. Eu toquei seu braço e lhe mostrei resumidamente a cena do beijo no parque. Nos preparamos para a cena principal. Estava na hora da pequena Renesmee utilizar seus instintos mais básicos de sobrevivência. Estava na hora de praticar o que ninguém na minha família jamais me ensinou. Mentir, enganar, trapacear.
***
Alice bateu de leve na porta, apenas por educação. Jacob abriu a porta e sorriu pra ela com uma gentileza incomum.
- Olá baixinha. – Disse ele descontraidamente.
- Qual é o problema que vocês lobos tem com roupas descentes? Onde estão as calças que eu comprei pra você? – Alice encarava carrancuda a bermuda esfarrapada de Jacob que um dia fora uma calça jeans.
- Ah, qual é, você não quer que eu use aquilo vinte e quatro horas por dia quer? Além disso, me aperta muito – Jacob retrucava atrás de Alice enquanto ela atravessava a pequena sala a meu encontro.
- Ness, ensine seu cachorro a usar roupas – Ela resmungou enquanto me dava um beijo na testa e se sentava a meu lado no sofá.
- Impossível Alice, ele parece ter sérios problemas com qualquer coisa que cubra mais que o estritamente necessário. – Sorri para ela. Bem, eu teria de ser legal com Alice se quisesse trazê-la para meu lado.
Alice deu um sorrisinho amarelo, como alguém que tem más notícias para dar.
- É todos nós já percebemos isso. – Ela olhou pra Jacob, sentado no tapete, no lado oposto da pequena sala.
- A caça parece ter sido boa. – Sondei. Eu teria que ser mais sutil com Alice. Ela me conhecia muito bem. – Vocês voltaram agora?
- Não, na verdade voltamos há duas horas – Disse Alice, com um olhar displicente.
- Hum, e por que não me avisaram? – Eu olhei para ela desconfiada e ela cruzou meu olhar. Eu conhecia tão bem aquelas feições miúdas, que podia jurar que ela estava tentando não falar algo que não devia.
- Ah, tudo bem, você vai saber de qualquer jeito. – Ela bufou e se virou de frente para mim. – Quando voltamos essa tarde, Carlisle chamou Edward e Bella para uma conversa, e é claro que todos nós acabamos ouvindo. Mas a coisa foi séria, nunca vi Carlisle falando daquele jeito com Edward, bem, com ninguém pra falar a verdade. – Alice me encarava aturdida. Bem, agora eu estava oficialmente me sentindo culpada. Era óbvio que Carlisle resolveu ter uma conversa com meus pais depois da minha pequena encenação dramática. Tive que lembrar a mim mesma que aquilo era justamente o resultado que eu esperava.
Tentei colocar um pouco de curiosidade e inocência na voz e na expressão.
- Por que Alice? O que houve? – Perguntei. Pela minha visão periférica eu pude ver Jacob tentando segurar o riso.
- Ah Nessie, Carlisle nos contou sobre a conversa que vocês tiveram hoje à tarde. Ele disse que você está muito infeliz com o modo que temos te tratado. Quero dizer, nós sabemos que você não é mais aquele bebezinho cheio de dentes de apenas alguns anos atrás, mas nós sempre pensamos no seu bem estar. – Parecia que Alice estava reproduzindo a expressão torturada que vi em Esme aquela tarde. Suas palavras soavam mais como um pedido de desculpas do que como uma explicação. Maravilha, eu estava aumentando gradativamente minha lista de “pessoas que eu quero magoar”.
- Ah não. Carlisle não fez isso. Minha mãe vai me matar. – Era hora de mais um capítulo do meu teatro melodramático. – Ah Alice, me desculpe. Eu não queria causar nenhum problema com minhas besteiras, eu só… – Jacob quase teve um ataque do outro lado da sala quando viu minha cara de mártir de filme barato.
- Está tudo bem Ness, relaxe. E pare de se desculpar por falar dos seus problemas. Ninguém vai te castigar por você falar o que está sentindo. Somos sua família. – Alice me abraçou, tentando me confortar. Olhei para Jacob do outro lado da sala e dei uma piscadela. Que dupla maligna nós estávamos nos tornando.
- Eu ouvi também Carlisle falando algo sobre uma viajem que você pretendia fazer a Forks. – Ela me olhou profundamente e suspirou. – E eu acho que não há nada de errado nisso. Vou dizer isso a sua mãe. Está na hora de começarmos a enxergar você com outros olhos.
- Obrigada Alice. – Eu estava muito feliz com o êxito do meu plano. Mal podia acreditar como tinha sido fácil. Até aqui.
- Vocês acham mesmo que eu deixaria alguma coisa acontecer à minha Nessie? – Jacob parecia ter se recuperado o suficiente para dar uma pequena contribuição.
- Acho ótimo que você cumpra o que diz. – Alice mostrou a língua para ele, e em seguida me puxou do sofá. – Agora vamos. Temos uma reunião de família ainda hoje.
Droga! Estava indo tudo muito bem até ali, mas não parecia que continuaria assim.
- Reunião de família? Por quê? – Eu estava realmente apreensiva agora. Eu não contava com algo assim. Estava contando com o elemento surpresa.
- Bem, acho que seus pais querem esclarecer algumas coisas com você antes de você fazer as malas. – Ela sorriu e piscou para mim.
- Tá brincando? Eles vão me deixar ir para Forks? – Como? Quando? Tão fácil assim?
- Hum, pelo menos é isso que eu vejo seu pai e sua mãe decidirem. Agora vamos antes que eles mudem de idéia. – Alice saiu pela porta me puxando pelo punho. Eu olhei para traz procurando Jacob. Escutei seus passos nos seguindo na escuridão. Eu queria dizer a ele para se preparar, mas Alice balançava meu braço para frente e para traz como se estivéssemos passeando num parque. Eu tinha que parecer feliz, relaxada, descontraída.
Quando chegamos ao gramado da casa, eu parei. Alice me olhou confusa, esperando que eu desempacasse. Olhei pra ela sem pensar muito e disse:
- Alice, tenho uma coisa pra contar a vocês. – Os olhos de Jacob brilhavam no escuro. Ele me olhava apreensivo, procurando algum sinal de blefe.
- Nessie, o que vocês fizeram? – Estremeci quando ouvi Alice usando o plural. Ela normalmente não podia ver nem meu futuro nem o de Jacob – ou de qualquer outro lobo – mas a expressão que apareceu em seu rosto naquela hora foi como sabão no último degrau da escada. Eu escorreguei. Por um breve segundo, pensei que tudo tinha ido por água a baixo. Tentei me recompor imediatamente, evocando as imagens que me salvariam naquele instante. Olhei para ela atônita, segurei-a pelos ombros pequenos e delicados e mostrei a ela uma imagem minha e de Jacob num parque, nos beijando sob a sombra de um abeto grande e robusto. Depois deixei ela ouvir a voz de Jacob, me contando tudo. Alice estremeceu e voltou a focar seus olhos em mim. Não tive tempo de explicar tudo, só mostrei a ela um resumo rápido. Alice soltou o ar, como se tivesse prendendo a respiração durante horas.
- Eu vi vocês dois sumindo completamente. Como se tivessem se misturado numa coisa só. Uma coisa grande e totalmente borrada. Não posso mais ver nada sobre vocês Nessie. Absolutamente nada… – Alice parou de novo, olhando algo muito além de mim e da escuridão do gramado. Tão rápido que não pude nem ao menos piscar, ela se virou em direção a porta bem a tempo de ver um vulto passar por ela e voar em direção a Jacob. Então Alice gritou:
-Edward, não!

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Capitulo 8- Veneno




Jacob não teve tempo de se explicar. Com um tremor violento ele se lançou no ar, um ruído abafado de algo se rasgando foi tudo que pude escutar. Ele pousou no chão já nas quatro patas e recebeu de frente a investida hostil de meu pai. Um rugido bestial cortou a noite. Jacob tentava esquivar-se das dentadas de meu pai. Tentava imobilizá-lo, mas lutar com um adversário que lê todos os seus movimentos não é algo muito fácil. Jacob estava, visivelmente, lutando na defensiva. Ele não tentou, nenhuma vez, fechar a mandíbula quando conseguia agarrar algum membro de meu pai. Os outros estavam às margens da luta, tentando se aproximar o suficiente para segurar meu pai. Eu estava paralisada, assim como Alice e Esme. Meu coração martelava em meus ouvidos. Eu podia imaginar o que fez meu pai agir daquela maneira.
Ele ouviu Alice, viu o que eu mostrei a ela, mas obviamente não viu o bastante para entender. E agora estava querendo matar Jacob por ter me contado sobre o imprint – e por ter me beijado.
A luta era um borrão barulhento no meio da noite. Emmet, Jasper e Carlisle tentavam cercar meu pai e agarrá-lo, mas ele era rápido. Minha mãe gritava, aflita, pedindo que meu pai parasse. Mas ele não ouvia ninguém. Estava cego de ódio.
Se ele colocasse os dentes em Jacob, o veneno o mataria. Do jeito que ele estava furioso, eu podia imaginar quanto veneno estava fluindo em sua boca agora. Estremeci. Eu não podia deixar meu próprio pai matar meu Jacob – meu amor. Sem pensar muito no que estava fazendo eu cruzei o jardim num rompante. Quando passei por Emmet e Jasper, que estavam fechando o cerco pelos flancos de meu pai, parecia que todos congelaram ao mesmo tempo.
Meu pai estava prestes a pular na garganta de Jacob. Quando ele avançou, eu não tive tempo de segurá-lo. Só consegui chegar a tempo de empurrar o corpo enorme e peludo que iria ser mastigado. Ouvi o baque de Jacob contra a orla de árvores a três metros. Ouvi o estalo metálico de pedra contra pedra. Ouvi o ar passando por meus ouvidos enquanto eu voava de encontro ao chão. Ouvi o grito sufocado de minha mãe. Mas a única coisa que eu procurava ouvir com atenção era o coração irregular que batia a alguns metros de mim.
***
- Meu Deus Carlisle, ele mordeu ela. – Minha mãe gritava enquanto as mãos geladas de Carlisle examinavam o corte fundo e curvado que sangrava em meu antebraço.
- Nessie, você está bem? Bella, se seu sanguessuga idiota fez alguma coisa com ela eu não vou mais apenas me esquivar dele – Eu podia ver o rosto de Jacob contorcido de preocupação e raiva. Sua mão tremia ligeiramente enquanto ele afagava meu rosto.
- Cale a boca Jake, e vá por uma roupa. – Minha mãe sibilou para ele.
- Ela está bem Jacob. – A voz de Carlisle era baixa e calma. – O veneno só a deixou um pouco tonta. O corte já está fechando.
Enquanto Carlisle, minha mãe e Jacob discutiam, eu podia ouvir Emmet e Jasper tentando manter meu pai dentro da casa. Alice e Rose tentavam bloquear a porta enquanto meu pai se debatia no abraço de ferro de Emmet.
- Bella, é melhor eles irem agora. Se Edward colocar as mão em Jacob… – Carlisle olhava seriamente o rosto pálido e assustado de minha mãe.
- Mãe, Carlisle tem razão. Se meu pai fizer alguma coisa com Jake por causa de um imprint idiota eu nunca vou perdoar ele. – Aproveitei a deixa. Se aparecesse uma chance de partir, eu agarraria. Não podia me arriscar mais.
Alice cruzou o gramado como uma brisa leve. Ela estava aturdida, segurava duas mochilas pretas que ela atirou a Jacob.
- Vão. Vocês têm cinco minutos até Edward se soltar. – Ela lançou uma olhar nervoso a minha mãe e em seguida voltou a casa.
- Jake, cuide dela. Assim que as coisas se acalmarem por aqui eu ligo para vocês e nós nos encontraremos em Forks. – Minha mãe me ajudou a levantar, me deu um beijo no rosto e sumiu na escuridão do gramado.
- Vão agora. Nós cuidaremos de tudo aqui. – Carlisle nos olhava sério.
Olhei para Jacob – já tremendo – e corri para as árvores. Ele me atirou as mochilas enquanto corríamos e em um segundo já estava nas quatro patas.
Nós corremos em nosso limite de velocidade por quase meia hora. As árvores passavam por nós como um borrão em meio à escuridão de uma noite sem estrelas. Eu e Jacob corríamos em silêncio, lado a lado, pelas árvores que circundavam a rodovia.
Se meu pai resolvesse nos alcançar, ele teria que se esforçar bastante. Eu não tinha muita certeza, mas eu e Jacob estávamos bem longe de casa quando chequei a hora no visor luminoso do aparelho de celular que levava no bolso de traz de meu jeans. 1:50 da manhã.
Tínhamos corrido por mais ou menos cinco horas numa velocidade que poucas vezes eu tentei atingir, Jacob me seguia de perto, disparando seus grandes e redondos olhos negros para meu rosto, toda vez que eu tomava uma rota diferente. Nós viajamos pelas florestas, como caçadores noturnos. Eu não ia arriscar nenhum transporte, não com a sede que começou a arranhar minha garganta conforme eu queimava minhas energias na corrida. Eu não estava tão controlada assim. De vez em outra eu sentia meu corpo formigar a partir do antebraço direito, onde – eu queria acreditar – meu pai cravou os dentes sem perceber. Por mais que eu tentasse entender seu acesso de fúria repentina, eu não conseguia. Eu sempre soube do gênio difícil de meu pai, mas a atitude dele não condizia com a pessoa que ele era por traz da posição de pai. Ele era o Edward. Sempre gentil, prestativo, tão impossivelmente altruísta. E ele mais do que qualquer outro, via a verdade em cada pensamentos ao seu redor.
Eu me sentia sonolenta, a sede aumentava a cada quilômetro que deixávamos para traz, minha cabeça girava, dando voltas em torno dos acontecimentos daquele dia que parecia nunca chegar ao fim.
Avistamos uma clareira, razoavelmente escondida por seixos e árvores altas, tão próximas umas das outras que Jacob não conseguiria passar pelos troncos na forma de lobo. A brisa que soprou do oeste trouxe uma cheiro fresco e úmido e eu pude ouviu um riacho alguns metros à frente. Decidi que era hora de descansar, estávamos longe o suficiente para isso.
- Jake, vamos caçar alguma coisa. Podemos nos lavar no riacho à frente e depois descansamos na clareira. Partimos antes do amanhecer. – Jacob me olhava angustiado. Eu podia perceber que ele queria voltar à forma humana. Eu via em seus olhos escuros que ele queria me abraçar, falar alguma coisa para me animar, mas nós precisávamos caçar e ele precisava se manter nas quatro patas.
Encontramos uma manada de cervos poucos quilômetros depois do riacho, depois que nos saciamos, eu atirei uma calça jeans que Alice colocara numa das mochilas à Jacob e ele desapareceu atrás das árvores. Um minuto depois ele estava de volta, o peito nu brilhando de suor e os cabelos emaranhados. Eu o esperava sentada num tronco alto. Jacob subiu na árvore com agilidade e se sentou a meu lado. Ficamos olhando a noite em silencio por um tempo. O céu começara a se abrir, as nuvens que encobriam as estrelas se dissipavam lentamente, deixando a noite menos escura. Jacob arrancou uma flor pequenina de um ramo da árvore e colocou na palma de minha mão, em seguida ele fechou seu punho sobre o meu, esmagando a pequena flor em minha mão.
- Finja que é meu coração. – Ele abriu lentamente meu punho fechado, um dedo por vez. – Essa é a sensação. Como se meu coração tivesse sido espremido. Eu estraguei tudo não foi? – Ele baixou a mão e encarou a escuridão à frente.
Eu queria dizer a ele para parar de ser idiota, mas não consegui evitar a onda de dor que me invadiu ao vê-lo tão atormentado.
- Jake, as coisas simplesmente saíram do controle. Eu meio que contava com isso, eu sabia que ele não lidaria muito bem com a novidade. Só não consigo entender a reação exagerada dele, ele podia ter te matado. – Eu estremeci ao lembrar o quão perto meu pai esteve de cravar os dentes em Jacob.
- Acho que não posso culpá-lo Ness. Eu e seu pai estivemos disputando o amor das mesmas pessoas por muito tempo. – Jacob estava sério e falava numa voz constrangida, como se estivesse arrependido. – O destino simplesmente nos obrigou a conviver e lutar lado a lado por essas pessoas. Se não fosse por Bella e por você, Edward e eu teríamos nos matado se nossos caminhos se cruzassem por aí.
Esse era um assunto que eu aprendi a fugir desde cedo. Várias vezes eu ouvi as histórias de minha mãe e Jacob, antes dela se casar com meu pai. Ele era o melhor amigo dela, era apaixonado por ela, largou tudo por ela, deu tudo que ele tinha por ela. Era um pouco demais para mim – escutar tudo aquilo e não sentir um medo tolo e uma angústia descontrolada. E então tudo mudou quando eu nasci. Mas eu não conseguia fugir do pensamento que mais me perturbava. E se Jacob não tivesse sofrido imprint comigo? As coisas seriam diferentes?
Ele me amaria como me ama? Ele teria feito tudo que fez por mim? Ele amaria uma vampira? A resposta era tão óbvia que eu não me permitia pensar nela. Não. Nada seria como é. O que, mais uma vez me obrigava a perguntar: Será que as coisas estão certas? Por mais que eu pensasse – e desejasse – o contrário, eu não conseguia ver algo correto em toda aquela história. Eu me sentia o prêmio de consolação, dado a Jacob pelos maravilhosos serviços prestados aos Cullen para manter a vida de minha mãe intacta, até que meu pai a transformasse. E tudo isso piorou depois de hoje, por que eu finalmente soube o que realmente fazia Jacob gostar de mim. Uma macumba qualquer que tirava o direito de escolha das pessoas – de Jacob. Se não fosse por uma ligação mística patética que ele era obrigado a obedecer, ele nunca se aproximaria de mim, a não ser para me matar, por que era para isso que Jacob e seus irmãos tinham nascido – para caçar a minha espécie.
- Jake, por que você não segue em frente, sabe, uma vida normal? Você pode voltar para La Push, voltar para seu povo. Você pode voltar a envelhecer, ter filhos, família. – Cada palavra que eu dizia doía como se eu estivesse vomitando giletes. Jacob me olhava com uma expressão de incredulidade, como se fosse o absurdo mais improvável que ele já ouvira na vida. – Tem… algo errado com nós dois, não é natural. – O nó em minha garganta se apertou. Jacob se preparava para despejar um jorro de censuras, mas algo o fez engolir o que estava prestes a dizer. Ele apenas acenou como se compreendesse subitamente o que eu dissera. Um silêncio tácito preencheu a noite que se despedia. O sol nasceria logo.

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